Nômadas, a infância no deserto

“Lá (no deserto) ninguém sonha com chegar a ser, porque cada um já é.”

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“Conservo com nitidez as recordações de minha infância: acordo com o sol. Perto de mim estão as cabras de meu pai. Elas nos dão leite e carne, nós as conduzimos onde existem água e grama… Assim fez meu bisavô, meu avô e meu pai… e eu. No mundo não havia nada, além disso, e eu era muito feliz assim!

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… Aos sete anos já é permitido à criança afastar-se do acampamento para aprender coisas que lhe serão importantes no deserto: farejar o ar, escutar, apurar a vista, orientar-se pelo sol e estrelas. E a se deixar ser conduzido pelo camelo. Caso se perca, o animal o levará aonde há água. Lá tudo é simples e profundo. Existem poucas coisas no deserto e cada uma delas possui grande valor.

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Lá, cada pequena coisa proporciona felicidade. Cada roçar é valioso. Sentimos uma enorme alegria pelo simples fato de nos tocarmos, de estarmos juntos! Lá ninguém sonha com chegar a ser, porque cada um já é.”

Excerto da entrevista do jornalista catalão Victor M. Amela a Moussa Ag Assarid,um tuareg a estudar numa Universidade em França.

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